quarta-feira, 11 de março de 2020

Você sabia que o Brasil é um país bilíngue?


Olá galerinha! Hoje venho trazer uma pauta muito importante. Você sabia que o Brasil possui duas línguas oficiais? A primeira você já deve ter acertado, sim, é o português. Mas e a segunda? O guarani? Não! A resposta certa é LIBRAS, a língua brasileira de sinais. Agora você vai entender um pouquinho dessa história.

A LIBRAS é a língua oficial brasileira para comunicação com as pessoas surdas. Entretanto antes dela ter sido criada, a educação dos surdos no Brasil começou com a vinda do professor francês Ernest Huert, em 1856, que trouxe o alfabeto da língua de sinais francesa. O imperador Dom Pedro II apoiou a fundação do Imperial Instituto dos Surdo-Mudos. Após essa criação a LIBRAS foi concebida a partir da influência da língua de sinais francesa, mas não tinha status de língua oficial. A luta pelo desenvolvimento da linguagem de sinais foi sempre contínua. E paulatinamente foi sendo desmistificado a ideia que surdos não eram pessoas capazes.

No ano de 2002, a LIBRAS deixa de ser uma mera sigla e passa legalmente para o status de língua oficial brasileira, e o Brasil torna-se um país bilíngue, pela regulamentação da lei 10.436. Em 2005, é regulamentada a lei 5.626, que torna obrigatório o ensino da disciplina de línguas em todos os cursos de licenciatura no Brasil.

Achou interessante esse texto? Comente abaixo se você quer mais informações sobre os surdos, educação inclusiva, LIBRAS.


Obrigado pela leitura!

Referências:

MENEZES, JESA; FEITOSA, CRS. Lingua Brasileira de Sinais. 1ed. Fortaleza: EDUece, 2015

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Fake News - Nem os animais escapam


Boa noite, galerinha. O assunto de hoje do nosso blog é Fake News no mundo animal. Quem nunca ouviu uma crendice ou uma história absurda envolvendo animais, não é mesmo?! Portanto, hoje, iremos desmitificar e desmistificar alguns desses “causos”.

O primeiro causo é sobre o “xixi do sapo cegar uma pessoa”. Isso é um mito!  Alguns sapos podem urinar como tentativa de defesa, mas sua urina não possui veneno. Os sapos possuem glândulas de veneno sob a pele, que situam-se atrás dos olhos. Esse veneno sim, pode até cegar, pois possui muitas toxinas, se for ingerido pode provocar até paradas cardíacas e matar. Mas uma verdade tem que ser dita: esses animais não são capazes de atacar com esse veneno, ou seja, eles não conseguem inocular o veneno por vontade própria. Eles precisam ser atacados e quando suas glândulas são pressionadas, liberam um esguicho de veneno de forma defensiva. Os sapos são animais que são hostilizados pela sua feiura e por mitos como esse. Portanto, amigos, xixi do sapo não cega ninguém, é pura Fake News. Mas fiquem atentos! Não ataquem os sapinhos! Primeiro porque eles não merecem, segundo porque se você pressionar suas glândulas de veneno pode sobrar para você.

O caso agora é de misticismo. Algumas pessoas acreditam que alguns morcegos podem trazer uma mensagem de morte a pessoas. Batizaram esse morcego aqui do Ceará como rasga mortalha, similarmente a outra lenda que é a da coruja rasga mortalha. Nem um nem o outro são capazes de avisar da morte de ninguém. A coruja tem esse nome por fazer um barulho durante seu voo que lembra um pano se rasgando. Já o morcego, que tem hábito herbívoro, recebeu esse nome por dar voos rasantes muito próximos das pessoas, como se tivesse rasgando a roupa delas, em alguns momentos podem até esbarrar mesmo por problemas em seu sonar. Logo uma é chamada por fazer um som de pano rasgando, o outro por tirar “finos” dando a impressão que vão rasgar as roupas e nenhum é capaz de avisar se alguém irá morrer, tudo faz parte da fisiologia e hábitos desses animais. Portanto, mais uma Fake News!

Outro mito é sobre o bicho-preguiça. Todo mundo acha que ele é um animal preguiçoso, por seus movimentos lentos e por dados coletados em um cativeiro, onde foi constatado que eles dormem cerca de 16h, mas é lenda! Na natureza eles só dormem 9h por dia, porque precisam executar suas atividades, ou seja, seu nicho ecológico. No cativeiro dormiam muito por terem tudo equilibrado pelos seres humanos. Seus movimentos são lentos devido a sua morfofisiologia e não por preguiça. Bingo! Fake News!

Outra lenda urbana é que toda cobra é venenosa. Isso também é uma inverdade. Existem serpentes peçonhentas (que possuem veneno) e outras não peçonhentas (não possuem veneno). Existem características morfológicas que diferenciam uma e de outra, mas tem exceções. Por exemplo, as serpentes peçonhentas apresentam: olhos com pupilas fendadas, cabeça triangular, cauda afina bruscamente, mas temos jiboias e sucuris, que mesmo com tais características, não possuem peçonha. Já as serpentes não peçonhentas tem: olho com pupila arredondada, cabeça ovalada, cauda afina suavemente, mas a cobra coral apesar de ter todas essas características, apresenta veneno.

Então, meus amigos, estamos rodeados de Fake News também envolvendo os animais. Fiquem espertos, não se deixem levar por conversas, juramentos de verdade. Busquem a verdade na literatura científica!

Abraço a tod@s!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Momentos importantes do meu estágio supervisionado


Olá pessoal! Tudo bem com vocês?

O motivo da postagem de hoje é mostrar um pouco da minha vivência no estágio supervisionado do ensino fundamental 2. Aqui a baixo estão as fotos de momentos que considerei muito importantes nessa fase do curso.
Momento que antecedeu a aplicação de provas bimestrais na sala do 6º ano. Nesse momento tive o cuidado de diminuir a tensão dos alunos para a execução da avaliação. Expliquei a importância daquele momento e que o mais importante era o conhecimento e não a nota em si. Tive a preocupação de separar bem os alunos, organizar a sala de forma que meu trânsito por ela fosse fácil, discreto e vigilante. Esse momento sempre é muito carregado de tensão, pois há a possibilidade da cola e traz um nervosismo tanto para o aluno quanto para o professor (fiscal). Quando há uma situação como essa temos que ter uma abordagem discreta para que não haja constrangimento e exposição para o aluno. Por sorte todos se comportaram bem e não tive nenhum incidente do tipo. Esse momento foi muito importante para mim pois temos que ter empatia, principalmente por garotos ainda tão jovens. #tensão #avaliação #menosnota_maisconhecimento #colanão

Nessa imagem temos um momento muito especial, foi o dia da nossa aula complementar de reforço. Eu e Camila conduzimos esse momento com alunas do 9º ano em seu respectivo contra turno. O coordenador da escola tinha produzido previamente uma orientação de estudo com algumas questões envolvendo o estudo da física e química para ser trabalho com a turma. Foi uma situação bastante desafiadora, por se tratar de conteúdos que não eram da Biologia. Tirou-nos da zona de conforto, fez-nos estudar e deu um gosto maior de superação. Solicitamos que as alunas fizessem uma questão, em seguida corrigíamos e explicávamos cada questão. Fizemos também um glossário nessa aula para facilitar o entendimento do conteúdo quando fosse estudado em casa. A sensação de gratidão das alunas por saírem do reforço realmente entendendo a matéria foi muito revigorante. Mostrou-nos que durante as aulas normais muitas dúvidas persistem, conteúdos ficam truncados nas cabeças dos alunos e matérias seguintes podem não ser compreendidas por lacunas de aulas anteriores. #reforçarépreciso #reforçoémassa #reforçarpranãovacilar 

Na imagem acima temos um dos momentos da minha regência na sala do 6º ano. Após 15 anos longe do ensino fundamental 2, eu estava ali de volta. Inicialmente bateu o frio na barriga, como em uma estreia. A minha ansiedade era gigantesca, eu queria que a minha aula sobre Solos fosse realmente relevante, que fizesse sentido para cada um dos alunos. Comecei fazendo uma tempestade de ideias para sondar o que eles tinham de bagagem sobre o tema da nossa aula. Tinha esquecido de quão participativa era essa garotada, responderam-me ávidos para serem ouvidos. Queriam mostrar que sabiam, sem medo de errar. Aquilo realmente me impulsionou, a ansiedade deu lugar a confiança de ter certeza que o que tinha planejado iria dar certo. Fiz um esquema no quadro para deixar um roteiro de estudo dos pontos mais importantes e montamos juntos os conceitos desse esquema, sendo assim, uma forma deu estar avaliando a participação e a compreensão deles durante o decorrer da aula. #auladesolos #soloébaseparavida #ciênciasémassa



Esse dia foi muito legal. Eu, Amanda e Camila entramos na sala do 7º ano para dar aulas complementares de reforço. A partir da hora que entremos na sala a recepção foi muito calorosa. Os alunos estavam curiosos para saber quem eram aqueles três estranhos, que adentravam a sala deles. Preparamos com antecedência um questionário com questões sobre o conteúdo já ministrado pelo professor da turma. Propomos a divisão da sala em grupos (4 alunos por grupo) e passamos o questionário para cada grupo pesquisar. Enquanto esperávamos as resoluções por parte deles, sempre estávamos sondando e ajudando na pesquisa. Nossa preocupação inicial seria as conversas extra conteúdo, mas ocorreu muito pouco. A maioria dos grupos estavam empenhados em concluir a tarefa proposta. Terminando a pesquisa, começamos a corrigir conjuntamente o questionário e aproveitando para dar miniapresentações sobre cada questão. A aula acabou e ouvimos: “Mas já acabou?!” Ganhamos o dia!!! #triodaciências #recordaréviver #ecologiapraquetequero #teiaalimetarélegal #teianãoésódohomemaranha 

sábado, 21 de abril de 2007

A ditadura do mito do socialismo ditador

Há muito tempo, se convencionou dizer que socialismo é sinônimo de ditadura. De trocar emprego, saúde, educação, por partido único, censura, pouca liberdade, sindicatos controlados pelo Estado. O pior é que costumam invocar Marx, Engels e Lênin para justificar tal entendimento. Principalmente, a idéia de “ditadura do proletariado”, que os três teóricos defenderam. No entanto, nenhum deles defendeu a “ditadura do proletariado” com o significado de regime autoritário.
Para começar a dar conta dessa polêmica, é preciso lembrar o que significa o Estado para os marxistas. Antes de Marx e Engels, praticamente todo os teóricos políticos clássicos viam o Estado como um elemento positivo. Algo que existia porque, do contrário, o egoísmo dos seres humanos destruiria qualquer possibilidade de convívio social. Seria um freio à “guerra dos homens contra os homens”. Portanto, fazia sentido ficar discutindo se uma forma de governo era melhor que outra, qual forma era mais justa, qual era mais injusta etc.

->O Estado como necessidade social

A formulação de Engels e Marx partia de uma idéia oposta. O Estado surgiu como uma necessidade social, sim. Mas, essa necessidade tinha como raiz a dominação de uma parte da sociedade sobre a outra. Ou seja, do surgimento da sociedade dividida em classes. Dividida entre quem trabalha e quem administra. Quem pensa e quem executa. Quem é explorado e quem explora. Mas, essa situação foi criada na medida em que a produção de bens da comunidade aumentou de tal maneira, que permitiu que a divisão de trabalho beneficiasse mais uns do que outros.
O que era apenas uma função administrativa tornou-se uma função política. O crescimento da produção, por exemplo, permitiu que alguns se afastassem do trabalho direto e se dedicassem ao controle e administração do que era produzido. Isso também levou a que uma parte da sociedade adquirisse poder suficiente para dominar o restante. Os mecanismos de controle podiam ser tanto o domínio da escrita e da aritmética, como a formação de uma força militar. Esta última pode ter surgido sob o pretexto de defender os estoques de bens da comunidade. Mas, logo essa proteção estendeu-se para os próprios guardiões dos bens. Estava formado o Estado, com um corpo de funcionários e um corpo militar. A partir daí esse corpo também monopolizaria as funções de fazer leis e julgar quem as descumpre. Na verdade, todas essas funções já eram desempenhadas pelo conjunto da comunidade. O Estado surge do monopólio que uma parte da sociedade consegue estabelecer no desempenho dessas funções.
O que acabamos de descrever é um resumo muito rápido de elementos presentes no livro “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, de Engels, publicado em 1884. Trata-se da idéia de que o Estado é um instrumento de dominação. Portanto, diferente de Platão, Aristóteles, Kant, Hegel e outros pensadores, o Estado era para Marx e Engels um elemento negativo. Não adiantava ficar discutindo formas de governo, se o essencial era o caráter dele era o de dominação em qualquer de suas manifestações.
Que o Estado é um instrumento de dominação. Que é algo que deve desaparecer. Com tudo isso, os anarquistas, em geral, também concordam. Mas, enxergam no Estado a origem da dominação e não um sintoma de uma doença. Acham que eliminando o sintoma, a doença desaparecerá. Mas, a origem da doença está nas relações sociais. A existência do Estado é o resultado do desenvolvimento das relações sociais e do crescente domínio do ser humano sobre as forças da natureza. E somente o próprio desenvolvimento das relações sociais será capaz de dar uma resposta a essa situação.
Por isso, a fase de transição entre o Estado burguês e a sociedade sem classes não é só um pretexto para que alguns continuem a governar. Ao contrário, a causa maior da existência do Estado precisa desaparecer, antes que ele mesmo desapareça. As classes devem desaparecer para que o Estado já não tenha mais razão para existir. E isso exige a fase de transição a que Lênin chamou de socialismo.

->Ditadura como conteúdo de classe, não como forma de governo

Do ponto de vista político, Marx e Engels chamaram essa fase de “ditadura do proletariado”. Ou seja, ditadura dos trabalhadores. O problema é que muita gente identifica a palavra “ditadura” com fim das liberdades, censura, tortura e morte. E tem razão. No século 20, é assim que ficaram conhecidos regimes como os de Stalin, Mussolini, Hitler, Pinochet, os governos militares no Brasil e na Argentina etc. Mas, a palavra ditadura já teve muitos sentidos ao longo da história. Na Roma Antiga, por exemplo, era uma forma prevista na constituição política. Um ditador poderia ser nomeado em um estado de emergência, numa guerra ou numa revolta contra o as instituições e assim por diante. De fato, o que entendemos por “ditadura” hoje, era chamado de “despotismo” ou “tirania”, antigamente.
De qualquer maneira, quando Marx e Engels começaram a usar a palavra ditadura eles se referiam à dominação burguesa em geral. Não estavam falando sobre a forma de governo, mas sobre o conteúdo de classe. Para eles, o parlamentarismo inglês, o presidencialismo dos Estados Unidos ou a ditadura paraguaia eram a mesma coisa. Se em algumas delas havia eleições e liberdade de imprensa e em outras não, pouco alterava o fato de que todas elas eram formas da dominação burguesa. Por outro lado, isso significa que ditadura do proletariado não é o mesmo que fim das liberdades, censura, prisão e fuzilamentos. Quando Marx falava de ditadura do proletariado, falava sobre quem mandava. Ou seja, os trabalhadores. Não falava sobre como deveriam mandar. Essa resposta, ele não tinha pronta e acabada.
Tanto Marx quanto Engels sempre deram poucas indicações a respeito da organização do Estado futuro dos trabalhadores. Não gostavam de bancar os profetas e cartomantes. Mas quando surgiu a Comuna de Paris, em 1871, adotaram-na como modelo de ditadura do proletariado. Em seu livro O Partido e a Internacional, de 1875 , Marx e Engels afirmaram: “Querem saber em que consiste essa ditadura [do proletariado]? Vejam a Comuna de Paris, que foi uma ditadura do proletariado” E o que é que eles admiravam tanto nessa experiência de governo popular que durou apenas 72 dias? Em seu livro “Guerra Civil na França”, Marx destaca as características da Comuna que aprovava. Vejamos algumas delas:
- Eleições de todos os membros da Comuna através do voto direto e universal, inclusive para mulheres;
- Todos os representantes eleitos são passíveis de responsabilização e seus mandatos são revogáveis a qualquer momento;
- Salários de trabalhadores para todos os funcionários e deputados;
- Polícia sob controle da Comuna;
- Todos os juízes são eleitos, sujeitos à punição e seus mandatos são revogáveis a qualquer momento;
- A Comuna é um corpo de trabalhadores, não parlamentar, sendo executivo e legislativo ao mesmo tempo.
- Abolição do exército permanente e do funcionalismo público permanente.
Ou seja, trata-se de uma república democrática. Não uma república democrática burguesa, mas uma república democrática em que a classe dominante seria a classe trabalhadora. Não se trata de negar as liberdades burguesas, mas de mostrar como elas são apenas formais. De cumprir as promessas de liberdade da burguesia através da democracia operária. Com a classe trabalhadora no poder, controlando as instituições.

->A cozinheira que pode ser estadista

Tudo isso significa ir tirando as funções do Estado e transferindo-as para a comunidade. Aquela mesma comunidade que perdeu o direito de governar a si mesma há milhares de anos. Lênin dedicou um capítulo de “Estado e Revolução” a comentar as páginas de Marx sobre a Comuna de Paris. Segundo ele, trata-se de uma democracia “exercida integral e coerentemente”, de modo a transformar a “democracia burguesa” em “democracia proletária”, e a mudar o “Estado”, entendido como força especial para a repressão de uma classe determinada, em “algo que não é mais exatamente o Estado”. Daí o famoso exemplo que Lênin usou, de que numa sociedade assim, até uma cozinheira poderia desempenhar funções de estadista. Também foi nesse livro que Lênin disse que “a transição do capitalismo para o comunismo, sem dúvida, não pode deixar de produzir grande número e variedade de formas políticas”, mas “sua essência será inevitavelmente uma só: a ditadura do proletariado”.
Como sabemos, não foi nada disso que aconteceu na ex-União Soviética. O Estado se fortaleceu ao invés de desaparecer. A sociedade foi esmagada pelo peso de corpo burocrático estatal. A censura, a repressão, a exploração e a opressão permaneceram e se fortaleceram. Alguém poderia alegar que a o risco de que isso acontecesse já estava implícita na admissão leninista de que o socialismo comportaria uma “variedade de formas políticas”. O “socialismo” ditador seria apenas a forma política que acabou prevalecendo. E qualquer tentativa de fazer o mesmo em qualquer outro lugar e época acabaria necessariamente da mesma forma. Viva o capitalismo, então! Ou, pelo menos, viva a social-democracia!
Não é bem assim. É importante lembrar que a base da dominação burguesa é a exploração capitalista. É econômica. Portanto, se depois de destruído o Estado burguês, a exploração econômica continuar a se fortalecer, o novo Estado irá se transformar um outro instrumento de dominação. Por isso, é fundamental que o novo Estado surgido da destruição do antigo inicie imediatamente mudanças econômicas no sentido de mudar as relações econômicas. É preciso inverter a relação. A política precisa começar a mandar na economia. O controle social dos trabalhadores tem que mandar na produção.
O problema é que na União Soviética isso não chegou a acontecer. Socialização começou a ser entendida como estatização da indústria, da agricultura, do comércio e dos bancos. Na verdade, isso transformou aqueles que controlavam o novo Estado em novos exploradores. A economia continuou a mandar na sociedade. E, desta vez, não eram os burgueses tradicionais, mas uma nova camada dirigente que se beneficiava da exploração e do domínio sobre a sociedade. Não se tratava, portanto, de socialismo, mas de uma forma específica de capitalismo, com outro tipo de dominação. Era que chamamos de Capitalismo de Estado Burocrático.
Afinal, socialismo não é o mesmo que estatização. É sinônimo de controle democrático dos trabalhadores sobre a estrutura produtiva. Nesse caso, a experiência cooperativista é importante. No capitalismo, as cooperativas tendem a falir ou a se tornar empresas disfarçadas. Isso acontece devido à pressão da concorrência dos empresários privados. Numa sociedade em que existem apenas empresas socializadas, essa pressão desaparece. Claro que para isso é preciso que a socialização seja feita em nível mundial. Do contrário, a concorrência virá de empresas de outros países, que permanecem capitalistas. É por isso que a idéia stalinista de que é possível existir socialismo em um só país, ou em alguns deles, é só uma forma de esconder a continuidade da exploração e da repressão da classe trabalhadora. A contra-revolução stalinista começou pelo controle do aparelho partidário-estatal, mas ela se consolidou efetivamente com o Primeiro Plano Qüinqüenal, quando se coloca em marcha o processo de acumulação de capital.
Desfecho da Revolução Russa afetou todos as outras revoluções
Como a revolução mundial não aconteceu, a União Soviética viu-se cercada e quem estava no poder aproveitou para manter e ampliar as relações de exploração. Aprofundar a industrialização, explorar os camponeses retomar o conservadorismo. O machismo, a perseguição a homossexuais, o racismo contra judeus voltaram com tudo. Foi até criado um novo nacionalismo baseado no amor à pátria socialista. Além disso, Lênin, Trotsky e outros revolucionários também cometeram erros que colaboraram para o desastroso resultado final do processo revolucionário que começou em 1905, na Rússia. Mas, erros serão sempre cometidos. O problema é as conseqüências menores ou maiores que eles acarretam. E isso só é possível medir conforme as condições objetivas. Na medida em que elas se tornam mais adversas, as conseqüências dos erros se ampliam e podem se transformar em verdadeiras tragédias.
De qualquer maneira, as lições que temos que tirar desse processo não podem abrir mão de contribuições como as de Antônio Gramsci, Rosa Luxemburgo e outros teóricos revolucionários. Rosa alertou para o autoritarismo que o livro “O que fazer” (1902), de Lênin, trazia implícito. Seu alerta se confirmou com o aproveitamento desse autoritarismo pelos stalinistas. Por outro lado, Gramsci mostrou como a tática dos revolucionários russos era limitada em países com instituições políticas e sociais mais desenvolvidas. Diferente da Rússia do início do século, as sociedades européias ocidentais contavam, por exemplo, com parlamentos fortes, liberdades democráticas, altos níveis de sindicalização, imprensa atuante e ampla rede escolar. Desse modo, multiplicavam-se os instrumentos de dominação da burguesia.
Ao mesmo tempo, o desfecho da Revolução Russa afetou o destino dos processos revolucionários posteriores. Afinal quando a primeira revolução socialista aconteceu, nenhum Estado apareceu para apoiá-la. Mas, isso mudou quando a União Soviética passou a se comportar como um Estado. Aí, as rupturas revolucionárias em outros países passaram a fazer parte da disputa geopolítica entre o poder soviético e as potências imperialistas tradicionais. A pressão para que outros processos revolucionários também se burocratizassem e se tornassem regimes com pouca liberdade aumentou. Os novos “Estados Socialistas” autoritários surgidos na China, Iugoslávia, Cuba, Vietnã são alguns do exemplos desse tipo de pressão. Isso sem falar nos “socialismos” criados por decreto na Europa do Leste.
Lutar por reformas, mostrando seus limites
Voltando à questão das formas de governo, Lênin já dissera que não é indiferente aos socialistas que o domínio burguês tome a forma de uma ditadura (agora, falando no atual sentido da palavra) ou de uma democracia burguesa. Sob uma ditadura, as condições para a luta ficam muito piores. Os socialistas precisam se esconder na clandestinidade, não podem fazer propaganda aberta, são presos, torturados, mortos etc. Por isso, a luta por liberdades democráticas é fundamental. Mas no ocidente, muitas dessas liberdades eram maiores do que na Rússia. E isso faz muita diferença porque junto com elas vêm as ilusões de que é possível mudar o sistema por dentro. Através de reformas graduais.
Claro que lutar por reformas é muito importante. É uma forma da classe se convencer de que ela é capaz de arrancar conquistas com sua ação organizada. Mas o avanço das lutas dos trabalhadores tem que ir mostrando os limites dessas conquistas. Afinal, por mais avançadas que sejam as conquistas alcançadas, o poder político continua nas mãos da burguesia. O Estado continua monopolizando o poder de esmagar a classe trabalhadora e anular as conquistas, assim que o equilíbrio de forças permitir. É o que aconteceu na Europa, com várias conquistas e direitos desaparecendo durante a ofensiva neoliberal a partir dos anos 1980.
Assim, a luta por reformas precisa apontar também para seus próprios limites. Mostrar que direitos e avanços sociais somente se tornarão permanentes com a destruição do atual Estado. Com sua substituição pelo governo dos trabalhadores, ou pela “ditadura do proletariado”, como dizia Marx.
Tudo isso significa que qualquer participação dos socialistas nas instituições democráticas da burguesia deve ser subordinada a um objetivo maior. Por mais votos que os socialistas consigam para ocupar um parlamento ou um governo burguês, eles jamais conseguirão modificá-los. Rosa Luxemburgo disse em seu livro “Reformismo ou Revolução” (1900) que é uma ilusão pensar que os socialistas podem modificar o Estado burguês. É o Estado burguês que modifica os socialistas. Por isso, a participação nas eleições é muito importante, mas não é o objetivo de um partido socialista. É apenas um dos meios para dar combate ao Estado.
Livros consultados:
A teoria das Formas de Governo - Norberto Bobbio - Editora UNB – 10ª edição – 1976
A teoria revolucionária de Karl Marx - Hal Draper – Vol. 3 – A ditadura do proletariado - (Monthly Review Press – Londres – 1986)
A teoria revolucionária de Karl Marx - Hal Draper – Vol. 2 – Estado e burocracia- (Monthly Review Press – Londres – 1986)
State Capitalism in Russia - Toni Cliff.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Socialismo: Uma opção?

Já pensou numa sociedade realmente igualitária?
Sem discriminação, sem massacres, sem violência, sem destruição da natureza?
Pensou?

Não, não é o "céu", que você está imaginando. Isso realmente um dia pode ocorrer aqui na Terra. Basta que a humanidade pare, pense, reflita, critique, e escolha uma opção realmente boa para todos, inclusive a natureza.

Mas eu não disse que vai ser fácil. Precisa luta (de informação), precisa perseverança, precisa esperança, precisa amor pela vida de todos incondicional.

As pessoas precisam se livrar das amarras que a mídia as oferece... parece contraditório, não é? Porém, é a verdade... a mídia oferece as algemas e o povo tranca as algemas pela sua própria vontade, sem lutar, sem espernear, isso é o que chamamos de alienação.

Plagiando uma antiga propaganda:

ALIENAÇÃO É NADA!
CONSCIENTIZAÇÃO É TUDO!

Abraccio

quarta-feira, 11 de abril de 2007

PILHAS e BATERIAS

Dessa vez não é pra postar um texto, mas sim dar uma dica de preservação do meio ambiente.

Contribua para a preservação do meio ambiente! Não jogue pilhas e baterias em lixos convencionais, leve-os à Drogaria São Paulo (Av. Santos Dumont, 3199 - Aldeota; Rua Liberato Barroso, 680 - Centro) que ela se encarrega da reciclagem.

http://www.drogariasaopaulo.com.br/home.htm

un'abraccio

sábado, 7 de abril de 2007

Proteção à natureza

Bem, inicio minha postagem hoje para falar um pouco, sobre o "Folclore da natureza".

Atualmente, paulatinamente, embora ainda de forma acanhada para o real perigo, estamos falando, vendo e ouvindo falar da preservação da natureza. Ou seria melhor dizer para a falta que ela já está nos fazendo e fará assustadoramente daqui a uns pingados de anos?

Ora, meus queridos, a vida está passando, muita gente está preocupada, mas uma preocupação leve, por que enfim ainda não chegou... Ninguém ainda está passando o real aperto que irá deveras passar.

Muita gente fala, mas não faz. Não sei se por falta de coragem, por comodismo ou por não acreditar no que diz. Sim acreditar no que diz... Acreditem, parece contraditório, mas existem pessoas que aproveitam para falar da natureza só para tirar proveito político e/ou de mídia.

Então, o que faremos? Ficaremos só em fonemas e grafias?

Está dada a partida de textos, debates e ações reais, mesmo que em pequenas proporções, para a verdadeira defesa da natureza. Conto com a participação de tod@s para enriquecermos o debate e seguirmos para um caminho menos burocrático e mais ativo.

Un'abraccio